sexta-feira, 17 de setembro de 2010

BID diz que Brasil lidera inovação na AL

por IT Web*

16/09/2010
Banco aponta que País respondeu por 60% dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento na região

Dados recentes do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) mostram que o Brasil foi responsável por 60% dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento, em 2007, entre os países da América Latina e do Caribe. As informações apontam, ainda, que trata-se do único País da região que destina acima de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) para a inovação.

Ainda de acordo com o BID, um dos pontos fortes do Brasil é dispor de mecanismos de fomento à pesquisa tecnológica. Porém, assim como os vizinhos, a burocracia e a falta de articulação com os empresários impedem o crescimento da inovação brasileira e uma melhora na posição do País no ranking mundial.

"Em termos de disponibilidade de instrumentos para fomento da inovação, o Brasil, provavelmente, tem mais instrumentos do que qualquer outro país da América Latina. Quando fui aos estados e conversei com o setor empresarial, escutei queixas de que eles [mecanismos] são burocráticos, lentos e não tem suficiente informação", afirmou Flora Painter, chefe de Divisão de Ciência e Tecnologia do BID.

A representante do banco de fomento participa de um seminário sobre sistemas regionais de inovação, patrocinado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e a Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento.

Um dos mecanismos governamentais para estimular a inovação empresarial é a chamada subvenção econômica - recursos liberados em edital por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Ministério da Ciência e Tecnologia. De acordo com o ministério, desde 2006, foram liberados mais de R$ 1,7 bilhão. No entanto, as empresas reclamam que a liberação em forma de edital não acompanha o fluxo industrial.

Outro problema detectado pelo banco é que os empresários não apontam como os instrumentos de apoio podem atender a suas demandas. "Os empresários também não apresentam conhecimento necessário para expressar quais são suas necessidades e formular projetos."

De acordo com levantamento do banco, a participação da iniciativa privada é pequena na América Latina e no Caribe no montante de recursos para inovação. Enquanto no Brasil e no restante dos países latino-americanos e caribenhos, 60% dos recursos são provenientes dos governos, em países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a contrapartida pública é de 36%.

Para Flora Painter, o aporte menor de recursos por parte das empresas brasileiras pode estar relacionado a uma insegurança jurídica e econômica. "Para qualquer empresa, o investimento tem que se dar em um ambiente cômodo e estável. O Brasil teve avanços na estabilidade econômica e de políticas. No entanto, o País tem grandes problemas de financiamento com uma taxa de juros razoável para as empresas", explicou.

*Com informações da Agência Brasil

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