quarta-feira, 17 de novembro de 2010

As pequenas e médias empresas devem investir em marketing?


Crédito Imagem: Hafdís Hilmarsdóttir/Creative Commons

O marketing bem feito pode alavancar negócios de qualquer porte, diz especialista


Editado por Priscila Zuini, de EXAME.com

Marketing é “luxo” para uma pequena empresa?
Respondido por Daniela Khauaja, especialista em marketing


São Paulo - Não. Essa é uma grande miopia de donos de pequenas e médias empresas. Em primeiro lugar, marketing não é comunicação. A comunicação é apenas um dos elementos do composto de marketing, que também inclui a definição do produto ou serviço, a escolha dos canais de distribuição e das estratégias de preço.

Marketing é uma abordagem de negócios, um conceito sobre como as empresas devem ser gerenciadas. O princípio fundamental do marketing é tornar o foco no cliente uma prioridade estratégica para a empresa. Embora muitas organizações preguem essa máxima, poucas elaboram planos e executam ações que de fato demonstrem isso.

Os processos de marketing visam à gestão do relacionamento com clientes e com os demais públicos de interesse. Quando a orientação de marketing faz parte da gestão da empresa, percebe-se o impacto positivo nos resultados. E isso custa caro? Não necessariamente. Em primeiro lugar, custo é relativo. Quando dá resultado positivo, torna-se investimento e não custo.

Além disso, naturalmente, o investimento em marketing é proporcional ao porte da empresa e seus objetivos, como volume de vendas e participação de mercado. Não se deve pensar em dar um tiro de canhão para matar uma formiga. Marketing não é luxo, ao contrário, deveria fazer parte da cesta básica de todos os portes de empresa.

Daniela Khauaja é especialista em marketing pela Western International University de Londres e coordenadora da área de marketing de pós-graduação da ESPM.

Envie suas dúvidas sobre marketing para examecanalpme@abril.com.br.

Registro de marcas vira preocupação das pequenas

Há depósito de mais de 100 mil pedidos todos os anos no Brasil; Sebrae desenvolve iniciativas para que empreendedor saiba importância de preservar identidade do seu produto


Mariana Flores, da Agência Sebrae de Notícias

Brasília - No Brasil, a preocupação com registro de marcas é crescente. Desde 2007, mais de 100 mil pedidos são depositados anualmente, segundo dados do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), órgão governamental responsável por conceder as autorizações. Em todo o País há mais de 600 mil marcas cadastradas.

Em qualquer país é difícil encontrar pessoas que nunca ouviram falar em nomes como os da Coca-Cola, McDonald's e Google.

As três marcas figuram entre as dez mais valiosas do mundo. Só o nome Coca-Cola equivale R$ 120 bilhões. A marca McDonald's vale R$ 57 bilhões e a Google, R$ 74 bilhões, segundo a edição de 2010 do ranking da Interbrand, consultoria norte-americana.

No Brasil, o empresário que obtém o registro tem direito ao uso exclusivo da marca em todo o território nacional por dez anos, prorrogáveis por períodos iguais e sucessivos. A oficialização agrega valor aos produtos e serviços e ajuda a fidelizar o consumidor. "A marca tem um valor. Se o empresário protege, é o dono. Estamos mostrando que é preciso proteger para continuar auferindo lucro sobre essa marca", afirma o gerente da Unidade de Acesso à Inovação e Tecnologia (UAIT) do Sebrae, Edson Fermann.

O aumento dos pedidos de marcas feitos principalmente por proprietários de negócios de pequeno porte reflete uma política adotada pelo INPI que prevê descontos de até 60% nas tarifas para micro e pequenos empresas, além de permitir o depósito pela internet, o que desburocratiza o processo.

"Não é registrável reprodução ou imitação de marca alheia para distinguir produto idêntico, semelhante ou afim", assinala o representante da Divisão de Marcas do INPI, Rodrigo Moerbeck de Almeida Rego.

A partir de 2011, o Sebrae vai disponibilizar aos empreendedores cartilhas explicando as quatro principais modalidades de propriedade intelectual: patente, registro de software, registro de marcas e registro de desenho industrial.

A instituição vai oferecer consultorias para auxiliar o empreendedor no registro da propriedade intelectual. O objetivo é sensibilizar os empresários sobre a importância de proteger seu produto ou marca de possíveis reproduções.

Mar de Brasília
O registro é importante para preservar a identidade do negócio, na opinião do empresário Darse Arimatéa Ferreira Lima, diretor da Mar de Brasília. Proprietário do barco de mesmo nome que desde 1º de junho deste ano faz passeios pelo Lago Paranoá para ensinar educação ambiental a estudantes do Distrito Federal, ele se prepara para dar entrada no INPI para garantir a exclusividade do nome.

"Como a Mar de Brasília oferece um serviço novo na cidade, é importante assegurar que nossa programação visual não seja violada", afirma.

Em pouco mais de três meses, mais de 1,3 mil pessoas navegaram com a Mar de Brasília. A embarcação tem capacidade para 79 passageiros e faz até seis passeios por dia. O sucesso poderia gerar cópias, por isso é importante preservar a marca, de acordo com Darse.

"Queremos evitar duplicidades que podem confundir o consumidor e prejudicar a imagem da empresa. Se a marca é associada a um serviço de má qualidade oferecido por outra empresa, os danos causados podem ser irreversíveis", frisa.


Fonte: Revista Exame