quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Medida certa para vestuário masculino

Autor: Marcia Mariano
O Comitê Brasileiro de Têxteis e do Vestuário da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT/CB-17) está elaborando a norma de medidas de artigos confeccionados masculinos
Quarta-feira, 3 de Novembro de 2010

O grupo vem se reunindo periodicamente para avaliação das sugestões recebidas para a elaboração do texto do novo documento, que deverá ser encaminhado para consulta pública em fevereiro de 2011. Se aprovado, deverá seguir para consulta nacional durante 60 dias pelo site da ABNT para toda sociedade, posteriormente, após a avaliação dos votos será homologada integrando o acervo de normas da área têxtil e vestuário. A norma técnica não é obrigatória e sim, de cumprimento voluntário, porém, as confecções que se adaptarem a ela estarão em conformidade com os parâmetros de medidas de vestuário, discutidos e aprovados por consenso no setor.

A superintendente do Comitê, Maria Adelina Pereira, comenta que os membros da comissão têm se baseado na própria experiência no uso de tabelas para confecções, modelistas e também magazines para a elaboração da norma, que contemplará o conceito de vestibilidade, ou seja, com indicação do tamanho do corpo a que o artigo se destina. Entre as orientações, devem ser considerados como referência para o paletó masculino, por exemplo, o perímetro do tórax, da cintura e a estatura. Hoje as roupas são classificadas apenas pelos tamanhos P, M, G e GG ou escalas numéricas a exemplo 38, 40, 42, etc. pouco esclarecedoras aos consumidores e que carecem de uniformidade. Em outros países, como Estados Unidos e Europa já há indicação da vestibilidade nas etiquetas, que segundo os especialistas, constrange menos que a informação de medidas. Afinal, revelar a medida da cintura em centímetros soa mais elegante do que divulgar manequim 50. No Brasil, algumas marcas também já demonstram esta preocupação quando oferecem serviços de loja virtual. Veja site: www.quintess.com.br

A norma da ABNT incluirá as peças de tecido plano como camisaria, alfaiataria e também malharia. A norma apresentará também uma tabela de medidas, a exemplo da ABNT NBR 15800:2009 -Vestuário (Referenciais de medidas do corpo humano - vestibilidade de roupas para bebê e infanto-juvenil).

O documento poderá ser submetido a adequações, depois da conclusão dos levantamentos antropométricos que estão sendo realizados por meio a tecnologia body scanner pelo Instituto Nacional de Tecnologia (INT) e Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil do (Senai/Cetiqt).

A Comissão de Estudo de Medidas de Tamanho de Artigos Confeccionados (CE 17.700.04) foi formada com o objetivo de normalizar sistemas de padronização de tamanhos, formas de medição e de medidas referenciais do corpo, medidas antropométricas e medições de peças confeccionadas. Conversamos com Maria Adelina Pereira sobre o que significa a implantação desta norma para o setor de vestuário. Acompanhe:
Ping Pong

Textília: Qual a importância desta norma?

Adelina Pereira: Introduzir o conceito de vestibilidade, que melhor esclarece o consumidor no momento da compra de uma roupa, mesmo que seja virtual.

Textilia: Não sendo obrigatória, qual a vantagem da confecção em implantá-la?
Adelina Pereira: Seguir os valores que resultaram da experiência dos integrantes da comissão de estudo (que atuam no setor), e que chegaram a um consenso de medidas.

Textilia: Quais as principais diferenças entre medida de corpo e medida de roupa?
Adelina Pereira: De corpo indicam as medias antropométricas, ou seja, o físico a musculatura, etc. de uma pessoa. Já a medida de roupa são aquelas que a modelista, profissional responsável pela elaboração dos moldes, tanto de calçados quanto de roupa, definiu para adequar o modelo ao corpo humano. Por exemplo: se a modelista vai desenvolver uma camiseta de malha, que precisa ser muito justa para um ciclista, a partir das medidas do corpo dele, ela terá que reduzir alguns centímetros no molde, pois a elasticidade do tecido compensará essa diferença e se ajustará, para dar o efeito desejado.
Se em outro exemplo a modelista está desenvolvendo uma jaqueta em tecido denim, ela aumentará as medidas para que haja folgas de conforto na roupa, permitindo que o consumidor use outra camisa por baixo desta jaqueta. As folgas também servem para compensar a falta de elasticidade do tecido para a modelagem requerida.

Textilia: A grade numérica ou de letras (P. M, G – 42, 44 -48) continuará sendo aceita?
Adelina Pereira: Sim, poderá continuar para o consumidor não ficar tão deslocado com esse desafio da vestibilidade, as indicações de P, M, 42, 44 etc. são medidas nominais, todavia, os consumidores preferirão medidas de corpo que são mais técnicas e indiscutíveis, bem como mais autênticas.

Textilia: O que ganha o consumidor com a normalização?
Adelina Pereira: Qualidade, a confiança ao comprar uma peça de vestuário, a redução na necessidade de troca de artigos por incompatibilidade de tamanhos, o que aliás causa decepção no consumidor e problemas ao lojista.

Fonte: Textília, publicada em: 03/11/2010

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