A maioria das lojas continua enfrentando o grande dilema entre ser ecologicamente correta, reduzir custos e satisfazer a necessidade do consumidor, que (sim) continua adorando as sacolinhas plásticas.
"Faço compras depois do trabalho, como é que vou ficar carregando sacolas retornáveis?" pergunta a consumidora Maria Beatrice, de São Paulo. "Se não tenho como evitar as sacolas plásticas para acondicionar o lixo, por que vou abrir mão delas na hora da compra?", questiona a aposentada Alice das Neves. "Não lembro. Simplesmente não lembro de levar bolsas ou carrinhos para o supermercado", desabafa irritada a psicóloga Suely Miguel.
Para o consumidor, abandonar um hábito tão arraigado não está sendo nada fácil. Afinal, as sacolinhas de plástico foram colocadas no mercado há nada menos de 50 anos e, desde então, oferecem uma comodidade que todos valorizam.
"Tenho uma cliente que usa uma sacola para cada produto. Quando fui questioná-la, usando o argumento ecológico, ela simplesmente ameaçou nunca mais comprar na loja". diz alarmado Antonio Ferreira de Souza, gerente de uma das lojas da rede paulistana Futurama.
Para Genival de Souza Beserra, diretor da fluminense Prezunic, o brasileiro só deixará de usar as sacolas plásticas quando sentir no próprio bolso o ônus dessa escolha. Tanto que a empresa está tentando influenciar o governo local a tornar obrigatório o pagamento das sacolas. Por enquanto, a tática tem sido oferecer descontos aos clientes que utilizam unidades retornáveis, o que já contribuiu para reduzir a utilização das plásticas, em 15%, no último ano.
Segundo pesquisa recente realizada pela Asserj (Associação dos Supermercados do Estado do Rio de Janeiro), um ano após a entrada em vigor da Lei 5.502/09, que desestimula (sem proibir) o uso de sacolas plásticas no Estado, a população deixou de consumir 600 milhões de unidades, ou 25% dos 2,4 bilhões de sacolas plásticas anuais. O volume é importante, mas ainda aquém do desejável.
Além da resistência dos consumidores, o Rio enfrenta a preocupação dos supermercadistas. "Apoio a racionalização do uso, mas não a proibição total", afirma Manuel Pinheiro, diretor executivo da rede Mundial. Segundo ele, as alternativas apresentadas até hoje são insatisfatórias.
O varejista acredita que fornecer caixas de papelão, por exemplo, esbarra na questão da segurança alimentar. "Quem garante que as caixas não foram usadas para transportar inseticidas, gerando riscos de contaminação de perecíveis frescos?", pergunta. O mesmo raciocínio é adotado para as sacolas retornáveis. "Em um dia elas podem ser empregadas para carregar produtos de limpeza e em outro para transportar alimentos, Isso não é bom", acrescenta.
No Rio Grande do Sul, a resistência também é grande. Para Antonio Cesa Longo, presidente da Agas, associação que reúne os supermercadistas do Estado, a sacola plástica vai muito além de embalar as compras. "Ela tem um papel fundamental no destino e na reciclagem do lixo, é utilizada para proteger produtos da chuva, e possui várias outras formas de reutilização", explica.
Pesquisa recente da Agas, com 400 consumidores de todas as faixas de renda e idade, mostra que 42,8% dos gaúchos são definitivamente contra a proibição das sacolas plásticas, enquanto 38,3% revelam-se favoráveis, mas somente quando houver uma alternativa comprovadamente eficaz. Hoje, os supermercados do Estado gastam R$ 190 milhões por ano com a aquisição de 1,5 bilhão de sacolas plásticas.
Em São Paulo, a Justiça havia concedido liminar contra a lei das sacolas plásticas. A decisão foi publicada no dia 30 de junho no Diário da Justiça. A lei havia entrado em vigor em maio deste ano, mas garantia um período de adaptação aos estabelecimentos comerciais até 31 de dezembro. A ação ainda será julgada pelo órgão especial do Tribunal da Justiça.
Apesar das dificuldades para implantar as mudanças, Sussumu Honda, presidente da Abras (Associação Brasileira de Supermercados), anunciou uma meta de redução do uso de sacolas plásticas de 30% até 2013 e de 40% até 2015. Para ele, essas metas são factíveis, sobretudo se for criada uma legislação federal proibindo a distribuição gratuita das sacolas, como já acontece em outros países.
Fonte: Supermercado Moderno
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